A atividade de Segurança Pública é complexa e, considerando que nada nessa área se desdobra da noite para o dia, passamos a observar em linhas gerais os principais avanços técnicos operacionais da Polícia Militar de Goiás nesses últimos 15 anos.
A criminalidade não é estática, ela se moderniza e se aperfeiçoa. E claro, a sociedade evolui e passa a exigir mais qualidade e eficiência dos aparatos policiais na prestação de serviços. Desde meados da década de 1990, oficiais subalternos da PMGO começaram a perceber que a instituição deveria avançar desenvolvendo padrões doutrinários para melhor aplicabilidade na operacionalidade. Nesse contexto, a Rotam e o BPMChoque tiveram uma fundamental importância e se desdobraram em um contínuo e desbravador processo de especialização modernizadora de seus integrantes.
Essas unidades de elite fizeram a PMGO avançar nas áreas táticas, de operações de choque e especiais, alavancando Goiás para referencial em preparação e especialização de policiais, antes ‘generalistas’, agora mais especialistas. A doutrina da Rotam estabeleceu-se com base na Rota da PM paulista, contudo, de forma aprimorada, discutida e adequada às necessidades do Centro-Oeste.
Em 2003, com as experiências já consagradas em doutrinamento tático e estratégico, iniciados nos meados da década de 1990, a PMGO instituiu o POP (Procedimentos Operacionais Padrão), sendo uma doutrina que abrange toda operacionalidade da instituição, principalmente no que tange às unidades de área existentes nos 246 municípios goianos.
O POP foi elaborado por oficiais e praças, sob coordenação do então ten. cel. Carlos Antônio Elias – hoje, coronel e comandante-geral da PMGO – , posteriormente repassado em seminário a todas regionais da PMGO, com preocupação na educação e formação de multiplicadores e executores do POP. Mais uma vez, a PMGO se figurou como referencial técnico-operacional para as demais forças públicas do País. O POP nada mais é que um mapeamento do processo produtivo, uma ferramenta legítima e institucional, que desenha padrões de atuação e desvia do empirismo e do improviso.
Outro estimulante para o operador militar de Segurança Pública foi em 1993, no comando do coronel Joneval Gomes de Carvalho (ex-secretário de Segurança), a instituição da medalha Anhanguera nos graus bronze/prata/ouro, que simplesmente passou a materializar a operacionalidade do policial, oportunizando condições de ascensão na carreira, uma vez condecorado na categoria ouro. Ascensão essa exatamente pelo fruto de um serviço prestado com excelência e profissionalismo, acima da média do dever. Essa modalidade de recompensa pelo esmero da operacionalidade foi bastante enfatizada a partir de 2000, em que o coronel Divino Efigênio de Almeida, ex-comandante-geral e patrono da Rotam, alavancou o emprego operacional dentro de parâmetros de resultados práticos e não só estatísticos ou midiáticos.
Desde essa data, o policial aplicado na atividade-fim passou a ser visto com mais importância, sendo mais valorizado, respeitado e condecorado, fazendo valer o risco ou a intranquilidade jurídica individual de quem está na ponta, na execução.
Os avanços nas condições materiais de trabalho também foram um marco de incontestável importância. Os armamentos estão sendo adquiridos e atualizados a cada dia. Equipamentos de proteção individual, como, por exemplo, os coletes balísticos, também deram um salto qualitativo e quantitativo, principalmente nesses dois últimos governos. A mobilidade operacional pode perceber outra realidade quanto ao tópico viaturas. Tudo devido ao sistema de locação e manutenção iniciado em 2006, que tirou da ‘pré-história’ chegando ao terceiro milênio, ficou no passado aquela antiga visão da guarnição policial empurrando uma viatura sucateada.
O que a tropa anseia agora são investimentos mais vigorosos no segmento de armamentos químicos não letais ou menos que letais e de comunicação individual, até para que certas necessidades do próprio POP sejam atendidas em sua plenitude.
Alguns equívocos foram realizados na área do ensino, sendo que, no período de 2003/2004, chegaram ao ponto de alguns gestores abandonarem a melhor unidade em instalações físicas de instrução da Polícia Militar, sediada no município de Senador Canedo-GO (antigo CFAP). Contudo, através de uma ação homérica e individual por parte do major Alexandre Flecha Campos, no período de 2006/2007 a PMGO conseguiu resgatar 50% daquela estratégica unidade, sendo hoje o Centro de Instrução da PMGO, comandado pelo próprio major Flecha, que é um baluarte no ensino/administração/e tiro de nossa instituição, sendo referência no Brasil, inclusive para a Força Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, devido às aplicações de suas inovações no ensino da prática do tiro e manuseio tático dos armamentos da PMGO.
Hoje, a Diretoria de Ensino da PMGO (Deip) trabalha para resgatar o tempo perdido de outrora, está inovando e dinamizando o ensino, a instrução e a pesquisa no seio da corporação.
A PMGO possui valores individuais que alavancam o seu dinamismo, sendo esses inúmeros heróis anônimos idealistas que vivem para combater o crime nas 24h do dia. Seus quadros contam com uma gama de oficiais e praças, profissionais altamente capacitados que exerceram ou ainda exercem atividades nas áreas de operações especiais, de inteligência, ensino ou convencionais.
São cidadãos que se predispuseram a um concurso público para carreira de militar estadual, que efetivamente tem um entendimento de proteger e servir a sociedade, para tanto, deixaram de ser um cidadão comum para ser um cidadão com dever policial, sendo necessário um plus para seu labor diário. Necessariamente devem ser testados a todo o momento, no terreno, nas intempéries, na rusticidade, na restrição de conforto, nas técnicas, na conduta, na sala de aula, em tudo que possa prepará-los mais próximo possível do que enfrentarão na atividade fim.
As nossas unidades de elite buscam, trabalhando o policial de formação básica, dentro de sua esfera hierárquica, um rigor técnico e físico. Uma tropa de elite nunca se mantém por conta de uma farda diferenciada ou com símbolos e místicos pertinentes, mas sim pelo valor individual-técnico de cada um de seus integrantes. O enfoque espartano deve ser amplamente desenvolvido, deve elevar-se à quinta potência no que se refere ao policial que opera como último recurso tático da instituição em relação ao que se espera de um policial convencional.
O que realmente pode ferir a integridade de um policial é exatamente a farsa de uma formação ou especialização, com ausência de técnicas que as especificidades que cada modalidade de curso exige. O combatente de uma tropa de elite deve pagar a sua etapa com honra e dignidade!
Brasil acima de tudo!
Newton Nery de Castilho é major da Polícia Militar de Goiás